Max Fonseca

COVIL

"O difícil é aguentar até que a morte chegue".
(Ruy Espinheira Filho)

O cheiro ficou no lençol.
Cabelos e pó pelo chão do quarto.

Vazios, os armários, as gavetas;
Paira uma saudade embrutecida
pelas tormentas matutinas.

Deverias me deixar ao anoitecer.
Ninguém se vai ao meio-dia.

Sombrios, os espelhos, as cortinas;
A poltrona ainda mira sua chegada
e a espera descansa em nosso lar.

A vodka ainda lembra você, não bebo.
O cinzeiro não me aguenta mais.

Manchados, os retratos, o carpete;
Escrevi poemas em seu nome
e me dediquei por cortesia.

Alívio tolo; consolo inútil.
Tudo passa; passarás.

(Max  Fonseca)

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